Livro acerca da história da criação da Defensoria Pública do Estado de São Paulo conta com um capítulo dedicado a análise da atuação dos grupos de interesse durante o processo de formulação, discussão e deliberação do PLC 18/2005.
Leia o resumo do artigo, abaixo:
Apesar da Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 1988 prever em seu artigo 134 que uma lei complementar organizaria a Defensoria Pública nos estados da Federação, o processo de criação desses órgãos, essenciais à função jurisdicional do Estado foi bastante moroso. A Lei Complementar nº 80 foi aprovada apenas em 1994 e o estado de São Paulo iniciou o processo legislativo para a criação desse órgão e, portanto de uma política pública de acesso à justiça em 2005. O presente trabalho, tendo como objeto de análise a tramitação do Projeto de Lei Complementar/PLC nº 18/2005 que organiza a Defensoria Pública do Estado de São Paulo e institui o regime jurídico da carreira de defensor público, objetivou discutir a influência dos grupos de interesse no processo de formulação, discussão e deliberação da referida lei. Optou-se por um estudo etnográfico em que se aliou uma pesquisa bibliográfica e documental. Foram analisadas matérias jornalísticas veiculadas pela imprensa e os boletins eletrônicos emitidos pelo Movimento pela Criação da Defensoria Pública de São Paulo. Entrevistas semiestruturadas com representantes dos grupos de interesse também foram realizadas. A abordagem teórica utilizada foi o neoinstitucionalismo. Analisou-se a tramitação do PLC, construiu-se o cenário político que envolveu tal processo decisório e identificou-se os principais atores políticos. Os grupos de interesse que atuaram de forma mais contundente foram: Movimento pela Criação da Defensoria Pública de São Paulo (MDPESP), Associação dos advogados da Fundação “Manoel Pedro Pimentel” de Amparo ao Preso/Funap (ASAF), Associação dos Servidores da Secretaria de Relações do Trabalho (Assert) e Ordem dos Advogados do Brasil/SP (OAB/SP). A análise mostrou que interesses corporativistas sobrepuseram-se ao interesse público, e que o MDPESP, grupo de interesse melhor estruturado financeira e tecnicamente, obteve maiores ganhos, influenciando fortemente o processo legislativo.
GOZETTO, A. C. O. A atuação do Movimento pela Criação da Defensoria Pública de São Paulo durante o processo de formulação, discussão e deliberação do PLC 18/2005. In: HADDAD, E. G. M. (Org.)A Defensoria Pública do Estado de São Paulo: por um acesso democrático à Justiça. São Paulo: Letras Jurídicas, 2011.
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